Viva o São João, viva o Nordeste, viva a Bahia!



Sou baiano, tenho 27 anos, nascido e criado na Caatinga, na antiga e pacata cidade de Rio de Contas, localizada na Chapada Diamantina, que tem como lema “a honra em todas as coisas”, nesses dias, onde festejamos os dias de Santo Antônio, de São João Batista, de São Pedro e também de São Luís Gonzaga (não o nosso santo intérprete e instrumentista, mas o santo padroeiro da juventude, venerado pela Igreja Católica em 21 de Junho), as lembranças da infância e a intenção de poder deixar imagens parecidas na memória de meu (minha) filho (a) que está chegando, trazem ao peito o orgulho de ser da Bahia, de ser da região Nordeste, de ser do Sertão, de fazer parte do povo que mesmo com o sofrimento do trabalho árduo na terra dura e sob sol escaldante, não perde a esperança e prospera na vida, com fé em Deus e com fé na vida, como já dizia o também baiano Raul Seixas. 


Nesse mês, lembro-me das visitas feitas nos dias de Santo Antônio, de São João e de São Pedro às casas de amigos e familiares, em especial da reunião da Família Trindade na casa do nosso patriarca em Rio de Contas, meu bisavô Antonio Trindade, como também da visita ao meu tio-avô Epaminondas Guimarães, homens que sempre ensinaram a necessidade de respeito à família e às nossas tradições, pessoas que já se foram, mas nos deixaram (para mim e meus familiares) exemplos de atitudes e ideais que prevalecem em nossas vidas.

Destas reuniões, lembro-me das comidas típicas, não de festa junina, mas de nossa terra, do sertão, da caatinga, da chapada, comidas feitas a base de milho, de amendoim, da cana-de-açúcar e da mandioca, o mungunzá, o pé-de-moleque, a rapadura, o avoador (peta), a sequilho, o beiju, a canjica, a pipoca, os bolos de aipim, de milho, de fubá, tudo feito com a simplicidade e perfeição que só as mãos de quem trabalhou na terra conseguem fazer.



Das músicas, lembro principalmente as de Gonzagão, nosso eterno Rei do Baião, homem que levou ao mundo o forró pé-de-serra, o xaxado, o xote e o baião, com ritmo e melodias que fazem qualquer brasileiro sentir orgulho do labor de seu povo, por estas memórias agradeço ao meu avô, que também já não está mais entre nós, Lindemberg Trindade, homem culto e com cultura (são coisas diferentes) e ao meu pai, que entre os vários exemplos que me deixaram, ficou o de que cuidar da família e trabalhar por ela, é e sempre será a coisa mais importante para o homem, meu avô sempre fez o que pode pela dele e meu pai, hoje, cuida de minha avó quase que durante a integralidade de seu tempo, e, apesar das desavenças com outros familiares, sempre buscou ajudar a família, por isso desde pequeno busquei estudar bastante e em razão da ausência de escolar técnicas e cursos de atualização em Rio de Contas eu sempre busquei fazer cursos online e me preparar para o futuro.

Não sei como é a vida fora da minha terra, mas garanto que aqui aprendemos e buscamos ensinar e carregar três coisas como prioridade – cultura, trabalho e família.

Nessa época do ano a primeira música que vem na cabeça é – Respeita Januário – música onde Humberto Teixeira retrata relato de Luiz Gonzaga sobre seu retorno ao sertão, onde, mesmo famoso e “homem feito” foi advertido por um sertanejo, o Sr. Jacó, de que deveria respeitar seu pai, Sr. Januário dos Santos, que ainda era considerado o maior sanfoneiro da região e foi quem lhe ensino a tocar.

Diante disto, concluo citando nomes de alguns cantores e compositores que me deixam com ainda mais orgulho de minha terra nesta época do ano, entre eles, Dorgival Dantas, Flávio José, Alceu Valença, Nando Cordel, Luiz Gonzaga, Domiguinhos, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, escutem as músicas destas pessoas e “saboreiem” o melhor da música popular brasileira.

Arnaldo Trindade.



Fotografias - barreiras.ba.gov.br e Dra. Kelly Montino

  

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